Diante dos mais belos expostos na sociedade

"How many special people change? How many lives are living strange? Where were you while we were getting high?"





segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sem demora e sem vergonha lhe falar...


Comprar salgadinhos acompanhada e a partir de singelos movimentos labiais perceber a pronúncia entre os dentes com um “eu te amo”, não se compara a preço algum ou a qualquer frio mais intenso juizforano. Cena coloquial, mas demonstração nem tanto. Eu, como não sou estéril às necessidades do coração, oscilo levemente e ao final me desmancho como uma lágrima de felicidade ao presenciar, à espera de um ônibus, tal afeição rara.

As véspera de feriado americano e nacionalização do mesmo, me questiono se o Dia dos Namorados não passa de uma carência múltipla dos sexos. A necessidade que as meninas expõem para buscar uma âncora não para se prender, mas sim compartilhar o sentimento que não consegue se erguer sozinho em um único corpo, na verdade acaba se tornando um ponto de equilíbrio com possível imersão. Imersão por não saber em quanto tempo todo aquele teatro amoroso pode durar ou simplesmente por achar que o pra sempre nunca acaba. Que assim o digam: seja eterno enquanto dure.

Seria hipocrisia se eu sustentasse a idéia de que o ato da troca de presentes fosse tão fraco quanto a minha tese da busca implacável de sanar a carência. Atire a primeira pedra ou recorte o papel com a tesoura sem ponta quem não se imagina perdendo a cabeça de paixão, fazendo borbulhas de amor para encantar e passar a noite em claro não só a luz de velas como sem elas também. Insinuação de desejo fácil? Idealização de amor platônico? Mero sarcasmo.

Neste caso lanço assim como um perfume frases interrogatórias que Martha Medeiros não suporta: a inflamável cena da padaria foi apenas mais uma encenação parodiando a facilidade de se dizer “eu te amo”? Teriam conspirações familiares em jogo se espelhando e dificultando como Romeu e Julieta? Ou interesse mútuo de sustentar e acreditar em um amor adolescente? Posso ser frustrada com esquemas amorosos e lembrar que se adorar nunca foi pecado ao contrário de amar por amar o próximo. Porém confesso admirar, querer viver e reviver cada suspiro, cada minuto de ansiedade, cada arpejo das cordas não só vocais se ex(er)icitando, cada troca sincera de olhares, cada vibração nem que seja ela de uma mensagem no celular. E a cada eu te amo de cada dia que nos dai hoje, amém!

5 comentários:

  1. Quase morro lendo seus textos *-*

    Cada vez melhor, não para de escrever, por favor... =]

    smack!

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  2. tá bem, vou te fazer essa caridade pra sempre :)

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  3. Aos que ainda acreditam no "eu te amo", amém.

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  4. eu tenho certeza que você sempre acreditou, Müller :D

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  5. "O amor é como um raio, um fogo, uma armadilha..."
    O importante é acreditar nele e esperar que ele chegue. Beijos.

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