Divergindo um pouco dos clichês de escritores que buscam inspiração em dias sombrios e decepcionantes, tal indagação que me surgiu em uma noite apenas sozinha veio de um dos poemas clássicos, mais especificadamente de uma frase, na qual inúmeros alunos do ensino médio acabam por pressão, decorar: “Amor é ferida que dói e não se sente”. Lógico que quando Camões escreveu sobre este sentimento totalmente introspectivo e literalmente amoroso, sua intenção foi considerá-lo de uma maneira metafórica e não para se ter uma interpretação “ao pé da letra”. Mas pensando e analisando assim, tenho em mim que sentimos sim o amor e sua ferida cicatrizante, ou não, profundamente.
Absorver todo o lado positivo de se amar através de um convívio com momentos marcantes e inesquecíveis, com certeza é uma linha de pensamento presente em conto de fadas e consumado por aqueles casais melosos de plantão que acreditam cegamente que o amor é para sempre e que o sexo é eternamente excitante em situações conjugais. Tá, posso estar queimando, torrando e perdendo minha língua ao tocar neste ponto por ainda nem privilegiar um homem como sua namorada, mas resgate em um dos seus instrumentos mais capazes de raciocínio e questione: você realmente não acordará do imaginário perfeito e morrerá sem saber o que é sofrer por amor? Neste caso, implore por um beliscão.
Há coisas óbvias na vida de um ser humano que merecem uma atenção especial. Sendo assim, o sofrimento amoroso se encaixa melhor do que a mais tradicional posição sexual. Incrivelmente abstrato, porém, ao mesmo tempo tão real, notório e fixo, romper um relacionamento e sentir seus efeitos até colaterais, instigam mais ainda uma revolução interna só não maior do que a dos Cravos. E ter assim a capacidade de sentir as feridas promovidas e sustentadas por tal sofrimento, abala qualquer orgulho antes pretendido.
Momentaneamente, confesso que estou sim sendo atingida por este bombardeio de emoções complexas que acarretam, consequentemente, em um moderno buraco negro instaurado em meu tão bondoso coração que não se cansa de levar pontadas. Nem por ínfimos minutos consigo esquecer este sofrimento, me obrigando assim a permanecer com minha dolorosa cicatriz. Para concluir, exponho uma comparação perfeita entre o que mais me acompanha atualmente dando um basta literal. O amor é então como um ritmo musical que, ao mesmo tempo em que está bombando nos mais inusitados lugares ou nos mais tradicionais órgãos, simplesmente transfere sua batida para outra estação, na qual sofrimentos nunca deixarão de flutuar, bater, permanecer e, por fim, decolar para planar e pousar novamente em outro ser tentador.
Diante dos mais belos expostos na sociedade
"How many special people change? How many lives are living strange? Where were you while we were getting high?"
domingo, 24 de outubro de 2010
sábado, 16 de outubro de 2010
14-10-10
Com o pulsar ritmal e os batimentos perplexos, desenfreadas são as emoções interiorizadas que por motivos pessoais e, nunca notórios, instaurando, virando assim parasitas. Se pudesse optar por um sonho inacabado e outro que irá por vir, permaneceria a dúvida de reconstruir um sentimento ou apenas começá-lo diante dos mais belos momentos iniciais. Assim como um reflexo amoroso pode ser passageiro de algum trem europeu que não voltará instantaneamente, poderia também se eternizar não só em papéis opacos ou brilhantes, mas sim figurar nos sensatos pensamentos e imperfeições corretas de um pretérito mais que perfeito.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
palavras vindas de um passado bom 27-02-10
Esperava-se que algo a mais coubesse naquele mínimo cubículo hipertensivo, mas não contava isso como sendo certo. Nos últimos tempos, pode-se confirmar o absolutismo das posições alheias, juntamente com tudo que se tornou abstrato na vida perplexa, porém, às vezes, pragmática.
Contudo que tenha se feito eterno, não consigo preferir as patéticas liras e nem muito menos obras Machadianas que me deixam vagando. Escolho as frases metafóricas de Cazuza e as canções bucólicas e históricas de Renato Russo. Não que elas me revivam, porque quem já escutou pode ter a certeza que o contrário se comprova. Só que por trás dos versos poéticos lícitos(ou ilícitos), nota-se que algo mais sempre há de ser dito. A ambiguidade se torna o efeito especial, acompanhada do valor sentimental e da pluralidade das palavras acordadas.
Contudo que tenha se feito eterno, não consigo preferir as patéticas liras e nem muito menos obras Machadianas que me deixam vagando. Escolho as frases metafóricas de Cazuza e as canções bucólicas e históricas de Renato Russo. Não que elas me revivam, porque quem já escutou pode ter a certeza que o contrário se comprova. Só que por trás dos versos poéticos lícitos(ou ilícitos), nota-se que algo mais sempre há de ser dito. A ambiguidade se torna o efeito especial, acompanhada do valor sentimental e da pluralidade das palavras acordadas.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Vestígios ainda permanentes de um tempo atrás 14-04-09
Escrever sobre o amor. Falar sobre o amor. Nunca terá uma forma concreta para expressá-lo, a não ser através daquelas três palavras ditas com sinceridade ou acompanhadas com uma exclamação, para indicar entusiasmo. Elas sempre soam bem.E concluir que o amor pode ser considerado algo abstrato, talvez se encaixe melhor, por ser um sentimento. Tão sentido. Tão introspectivo.
Para descobrir se temos algo do tipo(alguém tente descobrir!), inicia-se, sendo a primeira vista, através da pulsação.De um batimento acelerado do orgão fervoroso existente não no centro.
Continuar a ter esse pensamento, significa continuar tendo o sentimento ainda dentro de você. E mesmo ele sendo individual, de um certo modo, penetra cada vez mais as artérias vermelhas e azuis, não importando tal qual intensidade. Quando se compartilha, a ponto de chegar a conjugação, muitas vezes fica mais difícil a convivência, apenas. Porque as outras contrárias, acabam por fim e tendo consequências mais fáceis, melhores. Com melhores sensações(a maioria. Tirando uma tão falada palavra existente em um relacionamento. Ciúmes. E quem nunca sentiu? Quem nunca o traiu? Quem nunca teve por outro alguém? Rarissímas são as exceções, que sempre negam. Bobas essas. Pois sinônimo de ciúmes acaba se tornando gostar. Querer, ter obcessão por alguém(nem sempre no sentido pejorativo). Protegê-lo. Estar junto. Isso tudo resume os prazeres existentes dentro, mas não tão fundo assim quando explícitos, juntamente com o amor.
Voltando a idéia central, ao ponto inicial, o que se conclui não tem lá muita explicação. E quem sou eu para achar uma certa e ainda colocar no papel. Só quem sente tem o saboroso poder de apreciá-lo. Por isso não achar-se uma explicação total, geral. Causa essa de suas variações ou até derivados.
Para descobrir se temos algo do tipo(alguém tente descobrir!), inicia-se, sendo a primeira vista, através da pulsação.De um batimento acelerado do orgão fervoroso existente não no centro.
Continuar a ter esse pensamento, significa continuar tendo o sentimento ainda dentro de você. E mesmo ele sendo individual, de um certo modo, penetra cada vez mais as artérias vermelhas e azuis, não importando tal qual intensidade. Quando se compartilha, a ponto de chegar a conjugação, muitas vezes fica mais difícil a convivência, apenas. Porque as outras contrárias, acabam por fim e tendo consequências mais fáceis, melhores. Com melhores sensações(a maioria. Tirando uma tão falada palavra existente em um relacionamento. Ciúmes. E quem nunca sentiu? Quem nunca o traiu? Quem nunca teve por outro alguém? Rarissímas são as exceções, que sempre negam. Bobas essas. Pois sinônimo de ciúmes acaba se tornando gostar. Querer, ter obcessão por alguém(nem sempre no sentido pejorativo). Protegê-lo. Estar junto. Isso tudo resume os prazeres existentes dentro, mas não tão fundo assim quando explícitos, juntamente com o amor.
Voltando a idéia central, ao ponto inicial, o que se conclui não tem lá muita explicação. E quem sou eu para achar uma certa e ainda colocar no papel. Só quem sente tem o saboroso poder de apreciá-lo. Por isso não achar-se uma explicação total, geral. Causa essa de suas variações ou até derivados.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
No vácuo
Nada mais vem a minha cabeça depois de escutar sensíveis e ainda mais inspiradoras palavras.
Enxugar pequenas doses de lágrimas, nem sempre é a melhor coisa a ser feita. É preferível deixar que elas rolem por toda e nem tão fria pele, que ousa perder água a cada hora que passa. Correr das monções, do vento, da calmaria, nunca é a melhor saída, a não ser a favor do vento que se sopra. E propagar-se em todas as direções o fervor da pretensão que inala prazeres, chega a ser uma das melhores ou possíveis opções. Ter o certo desejo de matar a vontade presa há mais de um mês, sucumbe o sangue chegando até o cérebro aumentando a cada instante o poder do ter. Do querer. Do sofrer, mesmo não sentindo ou sabendo da existência.
Enxugar pequenas doses de lágrimas, nem sempre é a melhor coisa a ser feita. É preferível deixar que elas rolem por toda e nem tão fria pele, que ousa perder água a cada hora que passa. Correr das monções, do vento, da calmaria, nunca é a melhor saída, a não ser a favor do vento que se sopra. E propagar-se em todas as direções o fervor da pretensão que inala prazeres, chega a ser uma das melhores ou possíveis opções. Ter o certo desejo de matar a vontade presa há mais de um mês, sucumbe o sangue chegando até o cérebro aumentando a cada instante o poder do ter. Do querer. Do sofrer, mesmo não sentindo ou sabendo da existência.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Dezoito à vinte e cinco de julho de dois mil e dez
Para mim, ainda não caiu a abstrata ficha que estive em Brasília. Me sinto totalmente aérea quando repasso as inúmeras fotos e revejo os expressivos vídeos que revelam ainda mais a imensidão central existente. Antes eu mantinha apenas a vontade que não passava e os planos movidos em ações que por corridos e sutis sete dias mudaram do imaginário para o real.
Além de ter realizado um proposto de visita, conhecimento cultural e histórico, mais do que isso pude incrivelmente estar presente nas primeiras férias de faculdade mais curta que alguém pode ter e conviver com uma prima em uma fase marcante. E isso tem e vai correr das supostas mãos em instantes, num relance profundo assim como minha passagem por pelo planalto central.
Enfim, Brasília acabou por me abrir os olhos não só por causa da claridade intensa, mas por perceber que não tem como existir um lugar melhor que o outro, pois todos sempre estarão em um patamar semelhante quando analisados superficialmente. As pessoas, pelo contrário que eu pensava, não são frias e nem muito menos sérias.
Terei sempre guardado, literalmente até, tudo que me resgata memórias e lembranças, para quando tiver um mínimo de tempo sobrando, ter o poder de retornar aos dias 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24 e nostálgico 25 de julho de 2010.
Além de ter realizado um proposto de visita, conhecimento cultural e histórico, mais do que isso pude incrivelmente estar presente nas primeiras férias de faculdade mais curta que alguém pode ter e conviver com uma prima em uma fase marcante. E isso tem e vai correr das supostas mãos em instantes, num relance profundo assim como minha passagem por pelo planalto central.
Enfim, Brasília acabou por me abrir os olhos não só por causa da claridade intensa, mas por perceber que não tem como existir um lugar melhor que o outro, pois todos sempre estarão em um patamar semelhante quando analisados superficialmente. As pessoas, pelo contrário que eu pensava, não são frias e nem muito menos sérias.
Terei sempre guardado, literalmente até, tudo que me resgata memórias e lembranças, para quando tiver um mínimo de tempo sobrando, ter o poder de retornar aos dias 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24 e nostálgico 25 de julho de 2010.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Mais de Caju
Por mais que ousem criticar Cazuza diante de sua rebeldia relacionada à questão econômico-social em que nasceu, não há o que discutir sobre seu poder de domínio das palavras para compor canções que marcaram época de adolescentes na década de 80 e marcam até hoje, vinte anos após sua morte. Das mais melódicas e melancólicas, solitárias não conseguiam ser as frases que estruturavam os versos líricos do poeta que será eterno. As metáforas feitas sem arrependimentos e com amor totalmente explícito, os embalos demonstrados a partir de um leve violão ao fundo ou de um aguçado rock progressivo, às vezes se contradiziam com quem era o próprio Cazuza ou até mesmo a situação pela qual o país passava no momento em que se concentravam essas músicas podendo ser consideradas alienantes para alguns pensadores. Um apaixonado confesso pela vida, Cazuza se sentia mínimo e imprestável se colocado em algumas situações, como foi o caso de sua doença. Mas quando falamos e voltamos à questão política, um revolucionário surgia dentro daquele corpo frágil e sensível.
O poeta sempre estará vivo para aqueles, que como eu, admiro sua capacidade intelectual de querer revolucionar uma geração e até sua doidera arregalada em um dos melhores anos (80) que qualquer um pode ter querido presenciar.
O poeta sempre estará vivo para aqueles, que como eu, admiro sua capacidade intelectual de querer revolucionar uma geração e até sua doidera arregalada em um dos melhores anos (80) que qualquer um pode ter querido presenciar.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Mais de Renato
Venéreo foi aquele que realmente colocou a cara à tapa e expôs explicitamente todas as suas opiniões sobre aquilo que gerava um verdadeiro caos na época. O caro legendário e legionário Renato Manfredini Júnior, mais conhecido como Renato Russo, foi um dos que podemos considerar notório e fundamental na década de 80, na qual o governo impunha a censura de uma maneira estupidamente lícita e governava diante de militares farrapos. Não como uma pétala a cair, mas sim como um meteoro a causar crateras, as idéias transmitidas através das músicas vibrantes e contestadoras da Legião Urbana atingiram o maior propósito: fazer com que a classe jovem e motivada da sociedade começasse a se manifestar de uma forma revolucionária. As canções, de uma maneira em geral, eram direcionadas ao governo e às suas práticas sobre um país em que todos ainda depositavam esperanças. Diante dessa citação, podemos ter a comprovação das letras que sucumbiam todo o fervor que inalava a pretensão dos jovens oitentistas. Eles indagavam na época que país era aquele e, 30 anos depois, podemos indagar o mesmo.
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